Roteiros mostram o que Curitiba faz para promover a saúde da população

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Olhares atentos dos participantes da Conferência puderam ver mais do que paisagens da cidade. Muitos tiveram a oportunidade de conhecer de perto o que Curitiba oferece para melhorar a qualidade de vida de seus moradores. Quatro roteiros dirigidos reuniram profissionais da saúde do Brasil e do exterior para visitação de parques, equipamentos de saúde, serviços municipais de ação social e ações de alimentação saudável.

Nas visitas aos parques e áreas verdes da cidade, 60 profissionais da área da saúde conheceram as unidades que fazem parte do programa Rio Parque de Conservação Barigui, como o Parque Guairacá, Barigui, Tanguá, as Estações de Sustentabilidade e o Jardim Botânico.

Para o biólogo e assessor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Maurício Savi, um grande desafio das cidades é proteger as áreas verdes existentes no meio urbano. Esta tarefa é essencial para a garantia do convívio saudável dos habitantes com sua cidade. ”A preocupação com a qualidade deste ambiente reflete-se na adoção de uma política de áreas verdes para Curitiba, que busca a utilização máxima dos benefícios ecológicos, econômicos e sociais que a vegetação incorporada ao meio urbano pode proporcionar”.

Durante o passeio foram abordados temas como preservação ambiental, saneamento, manutenção e permeabilidade do solo, prevenção de enchentes, habitação irregular em áreas de risco ambiental, relocação de famílias, poluição do ar, hídrica e sonora.

“Curitiba sempre me chamou a atenção por possuir uma urbanização diferente, cheia de áreas verdes, muito limpa e principalmente com algumas políticas chaves como a promoção de áreas verdes e parques”, afirma a enfermeira Rozilaine Lago, do Acre.

O médico e professor sueco Sven Hassler conta que vem de um país que tem tradição de cuidar das áreas verdes e da natureza. Para ele a oportunidade de fazer esse circuito é entender como se faz a interação social e humanitária. “O ideal é unir as duas coisas e Curitiba está conseguindo isso pela transformação das áreas antes ocupadas irregularmente”, observa.

Hassler conheceu o Parque Guairacá, criado a partir de uma ação da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) em 12 vilas localizadas na abrangência da bacia do rio Barigui. No total, foram reassentadas 743 famílias que haviam construído suas casas na faixa de preservação permanente do rio e viviam em situação de risco, prejudicando o meio ambiente.

Ação social

Um grupo formado por italianos, americanos, canadenses e brasileiros de outros estados formou o “Tour da Equidade” para conhecer o Condomínio Social, coordenado pela Fundação de Ação Social (FAS).

Primeiro na modalidade de gestão compartilhada no Brasil, o Condomínio Social é uma unidade para o atendimento à população em situação de rua já em trajetória de saída dessa condição, tendo recuperado vínculos familiares e retornado ao mercado de trabalho ou retomado os estudos.

Em conversa com moradores da unidade, os visitantes puderam conhecer a rotina da casa, onde as atividades são realizadas de maneira compartilhada. “Os moradores ficam muito felizes com esses momentos. Explicar toda a trajetória, os planos. Foram muitas perguntas sobre o funcionamento, que eram rapidamente respondidas”, contou a coordenadora do Condomínio Social, a assistente social Marilis Baumel.

Segundo ela, os representantes de Santa Catarina e Rio de Janeiro disseram que pretendem retornar acompanhados de equipes técnicas para visitar a unidade novamente e planejar um modelo a ser replicado.

Além do Condomínio Social, os participantes da conferência deverão visitar o Portal do Futuro do Bairro Novo e a Rua da Cidadania do Boqueirão.

Abastecimento

“É um orgulho estar em um Município que trabalha fortemente as políticas sociais da perspectiva dos direitos, pensando no dia a dia, na qualidade de vida dos seus habitantes. Em especial, com políticas de equidade”. A análise é do médico argentino Martin Piaggio, secretário municipal do Desenvolvimento Social e da Saúde de Gualeguaychú.

Piaggio fez parte de um grupo que realizou de uma visita técnica a quatro programas sociais da Secretaria Municipal do Abastecimento, mantidos pela Prefeitura. O grupo conheceu o Câmbio Verde, o Armazém da Família,a Nossa Feira e o Mercado de Orgânicos, instalado no Mercado Municipal.

Os visitantes brasileiros e estrangeiros aprovaram os programas alimentares sociais. Com formação em psicologia, a canadense Lisa Mclaughlin disse que ”os programas são excelentes” e que vai dividir com todos o que conheceu. Lisa atua em uma organização não governamental focada no auxílio a comunidades para que tenham uma vida mais saudável, no aspecto da nutrição e da prática de atividades físicas, o que fez com que tenha se interessado pelo programa Câmbio Verde, desenvolvido pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente em parceria com a Secretaria Municipal do Abastecimento.

“O programa é aberto a todos e aborda várias questões ao mesmo tempo, a segurança alimentar, os aspectos sociais e a saúde. Achei bem criativa essa ideia e me chamou a atenção como a administração municipal comporta essas ações pela saúde. Se vê o grande papel da governança”. Com pontos instalados nas áreas mais carentes para evitar que o lixo seja jogado nos rios e em vias públicas e estimular o adequado recolhimento, o programa oferece à população a troca de lixo reciclável por alimento.

A baiana Wéltima Cunha, de Salvador, conta que levaria para Vitória da Conquista (BA), onde trabalha, o Câmbio Verde e a Nossa Feira. “Os dois programas dão a oportunidade da pessoa se sentir sujeito e contribuir para uma cidade verde”.

A mesma percepção teve o médico veterinário Francisco de Assis Pessoa Júnior, do município de João Neiva (ES), que também quer implantar os dois programas sociais onde mora. “É uma forma interessante de ajudar todos, a população carente, o meio ambiente, os produtores familiares e a própria Prefeitura”, resumiu.

O Nossa Feira foi iniciado em 2014 com cinco pontos e hoje conta com 15 em funcionamento. A escolha dos pontos também privilegia áreas onde há maior concentração de pessoas aposentadas, de baixa renda e em regiões com menor opção de compra de alimentos. Com o preço de hortifrútis mantido regulado, R$ 1,99 o quilo, a Nossa Feira é montada em cinco pontos por dia, de segunda a sexta-feira.

“Os quatro programas me interessaram, em especial o Armazém da Família e o Nossa Feira, teria interesse em replicá-los em Gualeguaychú”, disse o médico argentino ao final da visita.

Saúde

Nesta quarta-feira (25), 27 participantes fizeram uma visita pela regional da CIC, onde conheceram os equipamentos da Secretaria Municipal da Saúde. A primeira parada foi na Unidade de Saúde Cândido Portinari. Durante o percurso, os visitantes receberam informações sobre a cidade, planejamento e programas em parceria com as demais secretarias.

Durante a visita, Soledad Banapelch, que trabalha e coordena um dos subministérios do Ministério da Saúde do Uruguai, em Montevidéu, estava impressionada com a atenção básica, ou “primeiro nível”, como ela mesmo denomina os estágios de atendimento. “Ainda entendemos a saúde como estrutural e conservadora: hospitais para a população, e não o inverso, como acontece aqui. Em Curitiba, percebi que o atendimento e a triagem são feitos na comunidade, antes de qualquer coisa. É atenção ao cidadão em primeira instância; o que otimiza tempo e dinheiro”, enfatiza.

Soledad anotava, atenta, todas as informações, tirava fotos e dúvidas. “A saúde pública municipal daqui dá atenção aos distritos e bairros, e acolhe a participação do cidadão nos programas e ações. É uma medida resolutiva e que não sobrecarrega o poder público nos segundos e terceiros níveis”, disse.

A administradora especializada em saúde pública Luciana Nogueira Egres estudou a estrutura curitibana quando defendeu sua tese de mestrado comparando as estratégias dos gestores públicos municipais de Curitiba e Porto Alegre. Ela estava atenta aos mínimos detalhes durante o passeio. Gaúcha de 45 anos, Luciana trabalha na secretaria municipal da saúde de Porto Alegre e veio conhecer as políticas públicas da capital do Paraná durante a Conferência Mundial. “Curitiba serve como referência a outras cidades há muitas décadas. Há um investimento considerável na atenção básica e integração com outros programas de outras pastas; o que ajuda muito a organização e atuação”, disse.

A enfermeira finlandesa Ritva Varamaki trabalhou muito tempo em hospitais e declarou, durante a visita, que estava muito “impressionada com a metodologia do sistema de saúde de Curitiba e outros programas que integram outras secretarias”.

Com informações da Prefeitura Municipal de Curitiba